quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ela e a vida dela

Num metrô qualquer...

 -Oi, não precisa ficar com medo, só sou um ser entediado como você
 -Oi, só tive um pouco de receio, não costumo falar com estranhos, mas...
 -Sei que parece muito efusivo, mas eu estava sentado lendo e não pude me conter em reparar no movimento dos seus cabelos
Ela riu e olhando meio pro nada disse: -que movimentos? hahaha onde quer chegar?
Ele -não sei, eu estou aqui nesse trem por qualquer acaso e agora eu te achei, eu não sei seu nome, mas sei que você tem
algo que possa me mudar.
Ela -Meu nome é Lise, não vou mudar nada em você, porque não consigo mudar o que sou também, eu acordo e faço as mesmas coisas
Ele - Prazer Lise, meu nome é Felipe, já que não podemos nos mudar, poderiamos tomar um café? me entristeceria você negar
Ela -Porque não? já é o fim do meu expediente, aceito mas tem que ser bem forte.
Então caminhando em direção ao café expresso eles foram, mal sabiam que aquele acaso traria muitas surpresas, umas boas outras nem tanto.
Ele -Sabe porque eu te parei dentro de um trem cheio de gente?
Ela -Não, porque?
Ele-Porque você era a unica que parecia estar satisfeita, aquilo me contagiou
Ela - satisfeita? durmo sozinha a noite, meu lado esquerdo da cama é frio, e meu emprego faz eu continuar pelo dinheiro
Ele - Que engraçado, meu lado direito é vazio (sorriu) resolvo esse problema com um bom filme
Ela-Mas você é homem, ja pensou que eu preciso de caricias e não de um bom filme?
Ele -Já sim, porque eu transfiro isso para os filmes (deu um gole demorado)
Ela -Já esta tarde, será que você poderia me acompanhar até o ponto mais proximo?
Ele -Claro, com a condição de poder ver-te de novo
Ela -Preciso de muito ainda (ela sorri de um jeito sarcastico).
Então o ônibus dela chega, eles se beijam no rosto e ela deixa um papel em seu bolso e diz pra ele só ler quando estiver em casa. Chegando em sua casa ele resolve
abrir o tal papel e nele havia três a quatro linhas escritas, diziam assim "Sua gentileza comigo foi de tamanha admiração, mas não tive coragem de te dizer que eu ainda
amo outro cara. Você é o estranho mais legal que já vi, 76524091 só me ligue se tiver certeza". Então passou-se semanas e mêses e ele resolve ligar pra ela, pois em seu
pensamento ela já não saia mais.
Ele- Alô, Lise?
Ela- Oi, quem fala?
Ele- sou eu, Felipe, de que certeza você estava falando?
Ela- (sorrindo de canto) a certeza sobre mim, estou cansada de desilusões, eu amo outro, mas você e a nossa amizade me faz tão bem, e eu não sei o que pode ser, você
tem essa certeza ai guardada com você?
Ele- não posso dizer que sim, pois sinto muita vontade de você mas sei que o que você pode me dar não é por completo.
Ela- te entendo, é que não sei explicar, ele existe em minha a mente tem muito tempo, como se minha mente acostumasse, como se fosse minha rotina.
Ele- Como pode? e esse tempo que fui compreensivo e atencioso contigo?
Ela- esse tempo eu não vou esquecer, eu quero esquecê-lo, só não sei por onde começar e não sei se consigo.
Ele- se ao menos houvesse uma chance pra mim, chance essa que não surge em nenhuma classe da minha vida.
Ela- por que diz isso?
Ele- porque corresponde.
Ela- e se nos tentássemos? você conseguiria ao menos borrar a imagem dele da minha mente?
Ele- (meio espantado e feliz) aposto que conseguiria mais do que isso. Então ela foi se aproximando devagar em direção a ele, sorriu novamente e o olhou nos olhos, com
um certo desespero e aflição, e disse: - se ele sumir daqui, será só você, só você.

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